Já conheces os novos habitantes do Jardim Zoológico de Lisboa?
- Leonor Braga
- 14 de mar. de 2024
- 7 min de leitura
Atualizado: 15 de mar. de 2024
No Jardim Zoológico de Lisboa existem cerca de 2000 animais e um conjunto de cerca de 300 espécies, entre mamíferos, aves, répteis e anfíbios.
No entanto, os mais recentes habitantes do nosso Zoo têm sido o centro das atenções. Acolhemos recentemente uma cria de panda-vermelho e de rinoceronte-branco, bem como um visitante proveniente do zoo de outro país, o Koala.
O que irá encontrar neste post:
Existem atualmente 3 pandas-vermelhos no nosso Jardim Zoológico juntando-se a este uma nova cria da espécie.
Este animal solitário habita normalmente em climas temperados de áreas de florestas decíduas e coníferas com sub-bosques de bambu e árvores ocas sendo atualmente encontrada no Butão, China, Índia, Mianmar e Nepal.
Ainda que hoje em dia insiram esta espécie na família Ailuridae, sendo a única do género Ailurus, já foi antigamente inserida na família dos guaxinins e ursos.
A sua morfologia
O panda-vermelho possui uma cabeça redonda, focinho curto e orelhas triangulares, a sua cauda é longa e marcada por uma sequência anelar de cores alternando entre o vermelho e o amarelo. Os pandas-vermelhos têm cerca de 56 a 62 cm de comprimento e pesam entre os 3.7 e os 6.2 kg.
Sabias que…?
Estes animais utilizam as suas cores vermelha e preta para se camuflarem nas árvores perante os seus predadores. Utilizam o vermelho predominante nas suas costas para se misturarem com as folhas das árvores em que descansam e utilizam o preto da sua barriga para que não seja possível vê-las de baixo.
As suas manchas avermelhadas à volta dos olhos contribuem para manter o sol afastado dos seus olhos, enquanto os traços brancos do seu rosto permitem que a mãe os consiga continuar a ver durante a noite e guiá-los.
O panda-vermelho possui um polegar falso formado por uma extensão do osso sesamoide que ajuda o animal a agarrar o alimento e a subir às árvores.
A sua alimentação
São animais omnívoros alimentando-se 95% de bambu, sendo os restantes 5% ocupados por ovos, insetos e bagas.
A sua reprodução
Os pandas-vermelhos são, no geral, animais solitários interagindo apenas com os restantes membros da sua espécie apenas no período de acasalamento que ocorre apenas uma vez por ano, sendo que nesse período tanto machos como fêmeas acasalam com mais do que um parceiro.
A gestação dura cerca de 134 dias sendo que as ninhadas podem ser formadas por um a quatro filhotes. Logo após o nascimento a fêmea passa muito tempo com eles, mas ao longo do tempo passa períodos cada vez maiores afastada das suas crias.
As suas principais ameaças
Esta espécie está em perigo de desaparecimento desde março de 1988 sendo classificada pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) como estando “Em Perigo” e, portanto, o trabalho dos jardins zoológicos tem sido essencial para garantir a sobrevivência da espécie.
A destruição do seu habitat natural como consequência das alterações climáticas ou desmatamento, bem como a caça, o tráfico ilegal ou a captura ocasional em armadilhas para outros animais leva a que existam apenas 2500 mamíferos da espécie na natureza em liberdade.
O segundo maior animal terrestre e a maior espécie de rinocerontes é também uma das mais recentes crias do Jardim Zoológico. Oriundos da área da África do Sul, Zimbabué e Quénia são animais territoriais cujos sentidos mais apurados são o olfato e a audição, ainda que a visão seja fraca.
A sua morfologia
Estes animais caracterizam-se pelo seu crânio longo e lábios amplamente quadrados, uma corcunda no pescoço, orelhas pontiagudas e dois chifres no seu focinho compostos por queratina, sendo que o maior pode atingir 1.5m de comprimento. Estes utilizam os seus chifres como armas contra predadores e como exibições de domínio ao contactar com outros rinocerontes.
Possuem pelo apenas nas orelhas e na ponta da cauda, por norma pesa entre 1.6 a 2.5 toneladas e apesar do nome a sua pele é cinzenta.
Sabias que…?
Os rinocerontes-brancos podem correr a velocidades entre os 24 e os 40 km/h em curtos períodos de tempo.
Os rinocerontes-brancos são a maior espécie de rinocerontes e os segundos maiores mamíferos terrestres, sendo apenas ultrapassados pelos elefantes.
A sua alimentação
Os rinocerontes-brancos são animais herbívoros alimentando-se, portanto, de vegetais e ervas, é por isso que esta espécie tem o hábito de passear com as suas cabeças e lábios rentes ao chão.
A sua reprodução
As fêmeas desta espécie apenas se reproduzem a partir dos 6/7 anos enquanto os machos só atingem a maturidade sexual aos 10/12 anos. Dependendo da área onde estão localizados a época de acasalamento varia, sendo que nas populações do sul de África ocorre entre outubro e dezembro, enquanto no leste africano acasalam entre fevereiro e junho.
Após o acasalamento os casais permanecem juntos mas depois as crias são criadas apenas pelas fêmeas.
A gestação dura por volta de 16 meses e nasce apenas uma cria que se torna independente a partir dos 3 anos.
Sabias que…?
Esta espécie de rinocerontes é a única que demonstra ter algum tipo de comportamento social podendo formar grupos temporários de cerca de 12 rinocerontes.
As suas principais ameaças
Esta espécie encontra-se “Quase em Perigo”, segundo o IUCN, devido à caça furtiva para o fornecimento ilegal dos chifres que tem levado a que haja uma forte diminuição na população de rinocerontes existindo atualmente entre 19.600 a 21.000 animais da espécie.
Os cornos que serviriam para os proteger têm sido o motivo pelo qual são caçados. Este é bastante utilizado na medicina tradicional chinesa e é bastante valioso no norte de África e no médio oriente, sendo utilizado como ornamento para adagas.
Para além da caça furtiva outra das principais razões pelo qual este rinoceronte é uma espécie ameaçada é a sua perda de habitat, pois este tem vindo a ser ocupado pela população humana ou utilizado como terreno agrícola.
Carlos Grande, Tratador do rinoceronte-branco:
“Nascimentos como este vêm trazer a esperança para uma espécie cujo declínio populacional é uma das maiores tragédias da vida selvagem atual”
No âmbito do Programa de Conservação de Espécies Ameaçadas foi transferido diretamente do Zoo de Beauval, França, um koala com o nome Gowi Nee Bu que, em português, significa “Bem Vindo”.
Esta transferência não surge com o intuito da reprodução mas sim a criação de um banco genético para que em caso de alterações climáticas ou mudanças extremas de ambiente exista um indivíduo com as características necessárias para a espécie sobreviver.
Este animal que adora dormir é uma espécie proveniente da Austrália, principalmente no que diz respeito às regiões nordeste, central e sudeste de Queensland.
A sua morfologia
Os koalas apresentam uma coloração que pode variar entre o cinzento e o castanho, podem medir cerca de 85 cm e pesar até 13 quilos.
Eles são detentores de uma condição apelidada Sindactilia onde ocorre uma fusão de um ou mais dedos nos seus membros superiores. Para além disso, os seus dentes incisivos inferiores são deslocados para a frente o que permite o auxílio na execução de um bom corte e mastigação na hora da alimentação.
Os koalas têm o marsúpio que se trata de uma bolsa presente no corpo da fêmea onde os filhotes completam o seu desenvolvimento embrionário.
Eles possuem garras nas mãos e nos pés para que as suas escaladas sejam facilitadas, já que passam maior parte do seu tempo nas árvores.
Sabias que…?
Os koalas passam o dia a dormir, podendo chegar a dormir até 18 horas por dia agarrados às árvores.
O seu pelo serve como isolante térmico o que faz com que a sua temperatura corporal não seja afetada pela temperatura do ambiente.
Os koalas são animais herbívoros cuja alimentação se baseia maioritariamente em folhas de eucalipto. É das folhas que o koala consegue retirar todos os nutrientes que precisa para a sua sobrevivência, bem como a água para se manter hidratado.
Os koalas realizam uma seleção das folhas que irão ingerir e demonstram uma certa tendência para folhas jovens que apresentam uma maior quantidade de água e menor quantidade de fibras comparativamente com as mais maduras.
Os koalas quando se alimentam de folhas potencialmente tóxicas conseguem perceber através das náuseas e alteram a sua forma de alimentação para não cometer o mesmo erro.
Sabias que…?
Acredita-se que o nome “Koala” provém de uma palavra aborígene que significa “não beber”, pois ainda que ocasionalmente eles bebam água, a maioria da sua hidratação provém das folhas de eucalipto de que se alimentam.
A sua reprodução
A partir dos 18 meses os koalas atingem a sua maturidade sexual e entram num período de acasalamento durante 4 meses sendo este período algo anual.
Uma vez que os koalas são marsupiais estes apresentam, como referido anteriormente, uma bolsa onde os filhos se deslocam para completar o seu desenvolvimento embrionário, estes permanecem no marsúpio até aos seis meses e a partir desse momento vivem agarrados às costas das mães até completarem um ano.
As suas principais ameaças
Esta é uma espécie que, tal como as anteriormente referidas, se encontra em vias de extinção tendo sido classificada segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas como “Vulneráveis”.
Das principais causas para tal é a desflorestação que tem destruído o seu habitat e tem causado uma diminuição significativa dos indivíduos acreditando-se que hoje em dia existam cerca de 100 mil koalas na natureza.
Projetos de Conservação e Intervenção
Atualmente, com a rápida expansão da população humana e a consequente utilização pouco sustentável dos recursos que nos são fornecidos pelo Planeta leva a que a nossa biodiversidade seja gravemente afetada por tais avanços e ações, dando-se um aumento avassalador de espécies que estão em vias de extinção, sendo que muitas têm vindo a perder os seus lares por conta das alterações climáticas.
É aqui que estabelecimentos como o nosso jardim zoológico, aquários, parques e outras reservas da vida selvagem entram em ação e contribuem para garantir a sobrevivência de espécies em vias de extinção. Estes estabelecimentos promovem a educação ambiental, a investigação científica, a implementação de medidas de conservação das espécies e dos seus habitats, bem como, a reintrodução destes animais na Natureza.
É por situações alarmantes como estas em que vivemos que ficamos felizes pela chegada de mais animais ao nosso Zoo, como os referidos neste artigo.
O Jardim Zoológico de Lisboa participa em diversos programas de conservação de espécies ameaçadas, inclusive no Programa Europeu de Reprodução de Espécies Ameaçadas (EEP) que permite um “intercâmbio” de espécies geneticamente saudáveis para que estas se consigam reproduzir e possam ser reintroduzidas no seu habitat natural.
Para que seja possível comunicar entre jardins zoológicos e partilhar informações recolhidas e alguns registos acerca de algumas espécies partilhadas entre zoológicos surge o Studbook Europeu (ESB) ou International (ISB).
Vem conhecer alguns dos nossos projetos de Conservação e Investigação.
Apadrinhamento
Sabias que podes apadrinhar estes animais e tantos outros no Jardim Zoológico de Lisboa?
Existem dois tipos de apadrinhamento no nosso Zoo. Tanto podes apadrinhar sozinho como com amigos ou família. Ao apadrinhares um animal contribuis para um projeto mundial de conservação e ajudarás na manutenção e bem-estar do teu afilhado enquanto acompanhas o seu crescimento.
Vem visitar-nos!
Inaugurado em 1884, o Jardim Zoológico de Lisboa foi o primeiro parque com fauna e flora da Península Ibérica.
O Jardim Zoológico hoje em dia tem uma nova missão e nova mensagem apresentando novas atrações e instalações.
Atualmente habitam cerca de 2000 animais num conjunto de aproximadamente 300 espécies, entre mamíferos, aves, répteis e anfíbios.
O Jardim Zoológico de Lisboa está aberto todos dias, visita o nosso website para obteres mais informações e garantires o teu bilhete!
Autora: Leonor Viera







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